Uma história de amor ao próximoA idéiaLuciano Rocco voltou da Inglaterra, em 1996, com a idéia fixa de fazer uma publicação nos moldes da “The Big Issue”, que conheceu em Londres.
Rio de Janeiro e São PauloEnquanto Rocco articulava o projeto da revista no Rio de Janeiro, buscando apoio e voluntários para aderir ao trabalho, em 1998 em São Paulo, os editores do jornal “O Trecheiro”, liderados pelo fotógrafo e jornalista Alderon Costa, eram contatados por representantes da revista italiana “Terre di Mezzo”, a fim de apoiarem uma publicação brasileira para ser comercializada nas ruas pelos sem teto.
O encontroApós um contato feito em outubro de 1999, a International Network of Street Papers (INSP) interagiu e colocou os grupos do Rio de Janeiro e de São Paulo em contato.
Enfim a OCAS – Organização Civil de Ação SocialDepois de muitas reuniões na sede da Rede Rua, em São Paulo, com idas e vindas de Rocco, do Rio de Janeiro, com a presença de Alderon Costa e outros profissionais de diversas áreas de atuação, inclusive da jornalista Denise Mota, foi criada, em 21 de abril de 2001, a Organização Civil de Ação Social - OCAS.
A açãoApós tantas discussões e o lançamento da revista “Hecho” em Buenos Aires, esse grupo partiu para a ação e lançou a revista Ocas” em 6 de julho de 2002 em São Paulo e em 8 de julho, no Rio de Janeiro, que até hoje é produzida por voluntários e vendida por pessoas em situação de risco social.
OCAS OU Ocas”?A diferença de grafia é justamente para identificar a Organização Civil de Ação Social, doravante denominada de OCAS e a revista que é a Ocas”.
O carro-chefe: a revista Ocas” e seu idealAlém de ser um produto gerador de renda, nos moldes de outros que já faziam sucesso em outros países, a revista Ocas” tem como objetivo intrínseco aproximar o vendedor da sociedade, pois durante a venda ele apresenta ao comprador o que é o projeto e faz um resumo sobre o conteúdo da revista, rompendo barreiras que os impediam de se aproximar de outros seres, tão humanos quanto eles.
Apoio socialPara resgatar talentos esquecidos, esmaecer lembranças tristes, apagar momentos ruins, a OCAS mantém, através de voluntários e parcerias, outros programas:
psicodrama - cujas sessões acontecem sob a orientação da psicóloga Maria Alice Vassimon, que já gerou até o livro “Terapia de Todos Nós – Vida e Rua”;
terapia ocupacional - denominado Projeto Metuia, coordenado pelas terapeutas ocupacionais Débora Galvani e Talita Vecchia, com a colaboração de alunos da USP;
oficina de criação - quando voluntários de áreas profissionais diversificadas orientam os vendedores a criarem textos, fazerem fotos e outras atividades artísticas, que dão origem à editoria “cabeça sem teto”, publicada na revista;
projeto esportivo - ocorre anualmente, desde 2003, a Homeless World Cup, que busca no poder dos esportes, e particularmente do futebol, a oportunidade de colocar em discussão questões como pobreza e a falta de moradia ao redor do mundo. Além disso, a integração social através dos esportes vem se tornando uma estratégia de sucesso em muitos países do mundo, afinal, a paixão pelo futebol tem uma habilidade única de unir e de romper barreiras sociais. O Brasil, representado pela equipe da OCAS, participa desses eventos e nesse ano convidou entidades sociais de diversas regiões de São Paulo, que utilizam o futebol como meio de transformação social e acolhem rapazes entre 16 a 20 anos no projeto. A 6ª Copa do Mundo do Futebol de Rua ocorreu em Melbourne, Austrália, em Dezembro de 2008 e a equipe brasileira formada pela OCAS foi preparada pelo técnico Flávio Fernandes Rodrigues, conhecido como Pupo e classificou-se em 7º lugar, tendo concorrido com equipes de 56 países. Em 2009, a seleção brasileira chega ao 3º lugar e novamente um dos nossos, o Rafinha, é eleito o melhor jogador da copa.
Mais informações em www.homelessworldcup.org
Outros ideaisA Organização conta com a atuação de voluntários para articular parcerias com entidades, empresas e órgãos públicos, para o desenvolvimento de outras atividades, com a finalidade de fortalecer a inserção social e ainda viabilizar, aos participantes do projeto, uma nova profissão, novos conhecimentos, o acesso a serviços como saúde, educação, habitação e outros.
SonhoEnfim, o sonho de todos os voluntários oquenses é dar trabalho levando cultura à população, e, para manutenção do projeto, todos se unem na divulgação do trabalho da OCAS, que não se compromete em ser assistencialista, mas sim um veículo que colabora na transformação da vida de seus beneficiários.
Perfil dos beneficiários do projetoA OCAS abriu o projeto para abranger um número maior de beneficiários, porque não só os que já estão em situação de rua ou albergados precisam de apoio, mas todos aqueles que estão em situação de risco social, seja porque perderam o emprego e não têm profissão ou para egressos do sistema penitenciário e outras situações alarmantes como essas.
FuturoNós oquenses sonhamos em aumentar os programas de apoio, voltar a publicar a revista mensalmente e continuar colaborando para que mais pessoas retomem suas vidas de forma digna.
Ocas” - a revistaA revista Ocas” é um veículo de comunicação que além de gerar renda para os vendedores, tornou-se um canal para a disseminação de culturas diversificadas e de livre manifestação sobre os problemas advindos dessa situação.
A vendaQuando o vendedor passa pelo processo de inserção no projeto da OCAS, ele recebe as primeiras 10 revistas sem custo. Após vender esses 10 exemplares, ele retorna e passa a adquirir a revista por R$ 1 e comercializar por R$ 3, que lhes rende, portanto, R$ 2 a cada exemplar vendido. E, caso não consiga vender os exemplares que adquiriu, poderá trocar por quantidade igual de edições novas, sem nenhum custo.
O retorno para a OrganizaçãoO valor que retorna para a OCAS é aplicado na manutenção da estrutura: impressão da revista, pagamento de contas de água, luz, telefone etc.
Cadastro dos vendedores e início das vendasEles são cadastrados diariamente nas sedes da OCAS, no Rio de Janeiro e em São Paulo. O critério é querer participar do projeto e seguir o código de conduta que rege a organização, o qual é publicado em todas as edições da revista Ocas”. O candidato a vendedor, recebe apoio de alguém da equipe de voluntários ou vendedores, nos primeiros contatos para vender a revista aos leitores, caso não se sinta apto a iniciar sozinho.
Código de CondutaEste código foi elaborado para facilitar o sucesso de nossos vendedores. Quando há reclamações sobre o comportamento, o primeiro passo do membro responsável da equipe de voluntários é conversar com o vendedor para verificar o que houve, tentar ajudar ou advertir, mas se houver reincidência, o vendedor é afastado do projeto. Seguem as regras, as quais são informadas a todos logo que entram no projeto:
1. Se for usada linguagem racista, sexista ou ofensiva com: o público em geral, a equipe da Organização Civil de Ação Social ou as instituições parceiras;
2. Se houver comportamento agressivo ou violento contra o público ou qualquer integrante da organização ou instituição parceira;
3. Se o vendedor oferecer Ocas” bêbado ou sob influência de drogas ilícitas;
4. Se o vendedor brigar por ponto de venda com outros vendedores da revista ou com outras pessoas que ganham a vida nas ruas;
5. Se pedir qualquer tipo de doação enquanto usa o crachá de identificação da Ocas”;
6. Se usar o nome da Organização Civil de Ação Social ou da revista para pedir qualquer coisa ao público;
7. Se vender edições atrasadas da Ocas” sem informar ao leitor;
8. Se pedir um valor superior ao preço estipulado na capa da revista;
9. Se estiver acompanhado de criança durante a venda da publicação;
10. Se oferecer outros produtos ou serviços que não a venda da Ocas” enquanto estiver identificado como integrante deste projeto. Os vendedores identificados com o equipamento da Organização (crachá, colete, camiseta etc.) são orientados a vender exclusivamente a revista.
IMPORTANTE:
Solicitamos que quaisquer ocorrências sejam comunicadas à Organização Civil de Ação Social via e-mail: ocas@ocas.org.br ou fone: (11) 3208-6169.
VerbaDinheiro? Sempre falta. Não recebemos incentivos governamentais. Mas os voluntários correm atrás de anunciantes, patrocínio, doações, parcerias e qualquer forma que possa colaborar para levar os projetos adiante.
Resultados obtidosAo longo desses sete anos que a revista Ocas” é vendida pelas ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro, os voluntários já puderam contar muitas histórias de alegria, porque muitos que entraram como vendedores no projeto, saíram das ruas, ou estão em situação de albergados, mas mantém-se financeiramente vendendo a Ocas” ou já têm condições de alugar um lugar para chamar de lar. Outros arrumaram emprego e é esse o objetivo do projeto OCAS, ser apenas uma passagem na vida dessas pessoas. Há também histórias tristes, já que alguns não conseguem se adaptar a tarefa de ser vendedor, mas os voluntários da OCAS não desistem, porque muitos outros cidadãos brasileiros podem perder a chance de mudar de vida com seu próprio esforço e o apoio da OCAS.
Se você quer ser mais um parceiro, contribuindo para uma sociedade justa, democrática e participativa, entre em contato conosco, pois os projetos da OCAS são alternativas concretas contra as injustiças sociais.
Yara Verônica Ferreira
Assessora de Comunicação Institucional
yara_veronica@yahoo.com.br
Cel.: (11) 9436-9440